Mostrando postagens com marcador Cláudio Manoel da Costa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cláudio Manoel da Costa. Mostrar todas as postagens

sábado, 29 de outubro de 2016

XIII soneto de Cláudio Manoel da Costa

Nise? Nise? onde estás? Aonde espera
Achar-te uma alma, que por ti suspira,
Se quanto a vista se dilata, e gira,
Tanto mais de encontrar-te desespera!

Ah se ao menos teu nome ouvir pudera
Entre esta aura suave, que respira!
Nise, cuido, que diz; mas é mentira.
Nise, cuidei que ouvia; e tal não era.

Grutas, troncos, penhascos da espessura,
Se o meu bem, se a minha alma em vós se esconde,
Mostrai, mostrai-me a sua formosura.

Nem ao menos o eco me responde!
Ah como é certa a minha desventura!
Nise? Nise? onde estás? aonde? aonde?


Análise: Uma das características do arcadismo pode ser percebida nesse texto, que é a idealização da mulher amada. Esse movimento literário valoriza a vida simples e do campo, os seus autores desenham através de seus textos a imagem da Arcádia, lugar onde as pessoas viveriam vidas simples, ligadas à natureza, longe das má influências que assolavam a vida urbana. Ou seja, evocavam uma vida "pura". O XIII soneto de Cláudio Manoel não faz referência à natureza diretamente, mas a idealização da mulher procurada pelo eu lírico é consistente com as características da literatura arcadista. Um exemplo não tão óbvio é que o nome Nise é de origem latina e significa "pura". Um movimento que constrói a imagem de que a vida ideal é a vida no campo não poderia construir outra imagem da mulher ideal senão a da mulher pura e formosa.

Outros sonetos de Cláudio Manoel da Costa estão disponíveis em:
http://www.avozdapoesia.com.br/obras_ler.php?obra_id=16746&poeta_id=397

II soneto de Cláudio Manuel da Costa

Resultado de imagem para ciclo do ouro no brasil

"Leia a posteridade, ó pátrio Rio,
Em meus versos teu nome celebrado;
Por que vejas uma hora despertado
O sono vil do esquecimento frio:
Não vês nas tuas margens o sombrio,
Fresco assento de um álamo copado;
Não vês ninfa cantar, pastar o gado
Na tarde clara do calmoso estio.
Turvo banhando as pálidas areias
Nas porções do riquíssimo tesouro
O vasto campo da ambição recreias.
Que de seus raios o planeta louro
Enriquecendo o influxo em tuas veias,
Quanto em chamas fecunda, brota em ouro."

álamo copado: s.m. Árvore, geralmente alta, tronco reto e folhas ovais, lanceoladas. (Família das salicáceas.) O mesmo que choupo.

Análise: Cláudio Manuel da Costa nasceu na atual cidade de Mariana, que é cortada pelo Rio do Carmo e foi uma das maiores produtoras de ouro do Império Português. O arcadismo se diferencia do barroco por ser menos complicado e exagerado, e é exatamente isso que vemos nesse texto que descreve uma paisagem campista, rural, colocando o Rio do Carmo no centro do poema. O eu lírico fala da degradação do Rio pela exploração do ouro, colocando em contraste a ideia de que o campo é o melhor lugar para se viver e o progresso proporcionado pela metrópole. 

Cláudio Manoel da Costa (1729 – 1789)

Nasceu na cidade de Ribeirão do Carmo (hoje Mariana), em Minas Gerais, no ano de 1729. Aos vinte anos foi a Portugal para estudar Direito na faculdade de Coimbra, dividindo as obrigações do curso com a produção literária. Depois de terminada a faculdade, retorna ao Brasil onde exerce a função de advogado na então cidade de Vila Rica (hoje Ouro Preto).
Em Minas Gerais ajudou a fundar a Arcádia Ultramarina com os poetas com Manuel Inácio da Silva, Silva Alvarenga e Tomás Antônio Gonzaga entre outros poetas e intelectuais. Adotou, no ano de 1773, o pseudônimo de Glauceste Satúrnio, sob o qual escreveu a maioria de suas poesias. 
Inspirados pelo pensamento iluminista, os integrantes da Arcádia desenvolveram uma conspiração política contra o governador da capitania, culminando na Conjuração Mineira. Por essa época, sua poesia adquire um tom político e o poeta se mostra preocupado com diversas questões políticas e sociais. O movimento levou seus membros à prisão, sob acusação de lesa-majestade, isto é, de traição ao rei de Portugal. 
Por seu envolvimento na Conjuração Mineira, o poeta foi encontrado morto em sua cela no ano de 1789. A causa da sua morte ainda não foi esclarecida e alguns historiadores acreditam que ele tenha sido morto a mando do Governador, outros, que ele haveria cometido suicídio.
Anos mais tarde, ao final do século XIX, como homenagem, Claudio Manoel da Costa foi escolhido o Patrono da cadeira de número oito da Academia Brasileira de Letras.

Obras
Claudio Manoel da Costa é considerado o primeiro poeta do movimento árcade brasileiro, embora ainda apresente características barrocas em toda a sua obra, principalmente no que diz respeito ao estilos cultista e conceptista utilizados, compondo poemas perfeitos na forma e na linguagem. Por isso, costuma-se dizer que Claudio Manoel da Costa é um poeta de transição entre o barroco e o arcadismo. Além disso, seus poemas têm influência dos versos camonianos.
O início do movimento árcade na literatura brasileira tem como marco a publicação de sua coletânea de poemas intitulada Obras (1768). Diferentemente da produção poética anterior, Claudio Manoel da Costa prioriza o retrato da natureza como um local de refúgio dos problemas da vida urbana, onde o poeta/pastor pode desfrutar da vida rural.
Seus temas giram em torno de reflexões morais e das contradições da vida, além de ter escrito um poema épico, Vila Rica, no qual exalta o bandeirantes, exploradores do interior do país além, é claro, da fundação da cidade de mesmo nome.
Fonte: http://www.soliteratura.com.br/biografias/biografias004.php