Achar-te uma alma, que por ti suspira,
Se quanto a vista se dilata, e gira,
Tanto mais de encontrar-te desespera!
Ah se ao menos teu nome ouvir pudera
Entre esta aura suave, que respira!
Nise, cuido, que diz; mas é mentira.
Nise, cuidei que ouvia; e tal não era.
Grutas, troncos, penhascos da espessura,
Se o meu bem, se a minha alma em vós se esconde,
Mostrai, mostrai-me a sua formosura.
Nem ao menos o eco me responde!
Ah como é certa a minha desventura!
Nise? Nise? onde estás? aonde? aonde?
Análise: Uma das características do arcadismo pode ser percebida nesse texto, que é a idealização da mulher amada. Esse movimento literário valoriza a vida simples e do campo, os seus autores desenham através de seus textos a imagem da Arcádia, lugar onde as pessoas viveriam vidas simples, ligadas à natureza, longe das má influências que assolavam a vida urbana. Ou seja, evocavam uma vida "pura". O XIII soneto de Cláudio Manoel não faz referência à natureza diretamente, mas a idealização da mulher procurada pelo eu lírico é consistente com as características da literatura arcadista. Um exemplo não tão óbvio é que o nome Nise é de origem latina e significa "pura". Um movimento que constrói a imagem de que a vida ideal é a vida no campo não poderia construir outra imagem da mulher ideal senão a da mulher pura e formosa.
Outros sonetos de Cláudio Manoel da Costa estão disponíveis em:
http://www.avozdapoesia.com.br/obras_ler.php?obra_id=16746&poeta_id=397
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http://www.avozdapoesia.com.br/obras_ler.php?obra_id=16746&poeta_id=397