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domingo, 13 de novembro de 2016

O Caramuru, canto VI - Morte de Moema - Frei José de Santa Rita Durão

Canto VI
XXXVII
Copiosa multidão da nau francesa
Corre a ver o espetáculo assombrada;
E, ignorando a ocasião de estranha empresa,
Pasma da turba feminil que nada.
Uma, que às mais precede em gentileza,
Não vinha menos bela do que irada;
Era Moema, que de inveja geme,
E já vizinha à nau se apega ao leme.

XXXVIII
"- Bárbaro (a bela diz), tigre e não homem...
Porém o tigre, por cruel que brame,
Acha forças amor que enfim o domem;
Só a ti não domou, por mais que eu te ame.
Fúrias, raios, coriscos, que o ar consomem.
Como não consumis aquele infame?
Mas apagar tanto amor com tédio e asco...
Ah que o corisco és tu... raio... penhasco?

(...)
XLI
Enfim, tens coração de ver-me aflita,
Flutuar moribunda entre estas ondas;
Nem o passado amor teu peito incita
A um ai somente com que aos meus respondas!
Bárbaro, se esta fé teu peito irrita,
(Disse, vendo-o fugir), ah não te escondas! 
Dispara sobre mim teu cruel raio..."
E indo a dizer o mais, cai num desmaio.

XLII
Perde o lume dos olhos, pasma e treme,
Pálida a cor, o aspecto moribundo;
Com mão já sem vigor, soltando o leme, 
Entre as salsas escumas desce ao fundo.
Mas na onda do mar, que irado freme,
Tornando a aparecer desde o profundo,
- Ah! Diogo cruel! - disse com mágoa,
E, sem mais vista ser, sorveu-se n’água.


Análise: O poema “O Caramuru” escrito por Frei José de Santa Rita Durão, um dos principais representantes da literatura Árcade, narra em dez cantos, o naufrágio de Diogo Álvares Correia e seus amores com as índias, sobretudo com Paraguaçu. O material é amplo e apresenta uma exaltação a paisagem brasileira, fatos de nossa história, o temperamento dos indígenas, lendas,  e etc. No trecho acima, está sendo retratado a morte de Moema ( índia amante de Diogo ), que foi abandonada por seu amor, que partia para Europa com Paraguaçu, então,ela vendo aquilo atira-se ao mar, perseguindo o navio em que Diogo viajava, até a morte. Além desse momento bem marcante e forte do poema “O Caramuru “, estão presentes vários outros aspectos , como a expressão  “o bom selvagem”, do filósofo Jean-Jacques Rousseau, que  denota a pureza dos nativos da terra fazem menção à natureza e à busca pela vida simples, bucólica e pastoril, o nativismo que faz muita referência à terra, e o ufanismo, que é a "atitude ou sentimento de quem se vangloria exageradamente das belezas, riquezas e vantagens do Brasil" e isto é bem marcante no poema, pois o autor exalta mesmo a terra, como podemos ver claramente nesse outro trecho do poema:

Canto VIII - XXI 

Vi, nao sei se era impulso imaginário, 
Um globo de diamante claro e imenso 
E nos seus fundos figurar-se vário 
Um país opulento, rico e extenso; 
E, aplicando o cuidado necessário, 
Em nada do meu próprio o diferenço: 
Era o áureo Brasil tão vasto e fundo, 
Que parecia no diamante um mundo.


Ademais,o poema “O Caramuru” apresenta o Inutilia Truncat, que diz respeito à retirada de excessos da escrita; o Fugere Urbem, que é a fuga da cidade para um cenário na maioria das vezes campestre, mas que porém no poema “O Caramuru” ocorre para um ambiente indígena. Além disso, o carpe diem também é encontrado no poema, através da simplicidade indígena, pois procurava-se viver de forma mais simples. Já o Locus amoenus, no caso de “O Caramuru”, pode ser o refúgio no Brasil recém descoberto.

Portanto "O Caramuru", é uma obra riquíssima em vários aspectos, e difícil de ser analisada apenas com esses trechos, então, deixo abaixo o link para quem tiver o interesse de lê-la de forma mais ampla:


Fontes:

http://letrabydani.blogspot.com.br/2013/11/paes-2013-caramuru-analise-literaria_977.html
http://www.poetaslivres.com.br/literatura/portuguesa/arcadismo.html

http://vanessarabeloblog.blogspot.com.br/2013/09/caramuru-e-arcadismo.html

sábado, 12 de novembro de 2016

Frei José de Santa Rita Durão (1722-1784)


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Frei José de Santa Rita Durão nasceu nas proximidades de Mariana, Minas Gerais. Estudou com os jesuítas no Rio de Janeiro e doutorou-se em Filosofia e Teologia por Coimbra. Entrou na ordem de Santo Agostinho, mas durante a repressão do período pombalino, fugiu para a Itália, onde levou uma vida de estudos, durante mais de 20 anos.

Depois de viver também na Espanha e na França, voltou a Portugal com a "viradeira", como ficou conhecida a queda do Marquês de Pombal e a restauração da monarquia tradicional. Ocupou uma cátedra de Teologia em Coimbra, quando se dedicou a escrever o poema épico "Caramuru", publicado em 1781. Conta-se que a obra teria sido recebida com indiferença e que isso fez Durão destruir várias poesias líricas suas.

A manifestação poética de Santa Rita Durão expressa o nativismo, estampado na exaltação da paisagem brasileira, dos seus recursos naturais, dos índios: seus costumes e suas tradições. Durão faz referências a fatos históricos, do século 16 até sua época. Apesar do retrocesso ao tipo de crônica informativa dos anos 1600, seu texto pertence à corrente literária do Arcadismo e valoriza a vida natural e simples, distante da corrupção.

Os poetas árcades, angustiados com os problemas urbanos e o progresso científico, propõem a volta à simplicidade da vida no campo e o aproveitamento do momento presente. Embora morem em cidades, fazem versos sobre paisagens bucólicas de outras épocas. Lançam mão de verdadeiros fingimentos poéticos, usando pseudônimos gregos e latinos, imaginando-se pastores e pastoras amorosos, numa vida saudável idealizada, sem luxo e em pleno contato com a natureza.

O Arcadismo no Brasil é diferente do europeu. Em primeiro lugar, usa a paisagem mineira como cenário bucólico, valoriza as coisas da terra, revelando um forte sentimento nativista. A presença do índio na poesia reflete o ideal do "bom selvagem iluminista", que não existe nos poemas europeus. Outra característica é a sátira política à opressão portuguesa e da corrupção colonial.

Durão também integra esse movimento cultural contra a colonização. "O Caramuru" faz um balanço da colonização em meio a uma descrição hiperbólica da natureza. Neste poema são exaltadas a fé e a defesa da terra contra os invasores. Segundo o crítico Antonio Candido, "A obra de Durão pode ser vista tanto como expressão do triunfo português na América quanto das posições particularistas dos americanos; e serviria, em princípio, seja para simbolizar a lusitanização do país, seja para acentuar o nativismo."

A estrutura do poema segue o modelo de Camões, formado por dez cantos de versos decassílabos dispostos em estrofes fixas, as oitavas, com esquema de rimas abababcc. Mas, como era de se esperar para um membro do clero, o conservadorismo cristão substituiu a mitologia pagã, uma característica épica.

"Caramuru" tem como subtítulo "Poema Épico do Descobrimento da Bahia" e conta as aventuras de Diogo Álvares Correia, o Caramuru. Entre outras personagens do poema estão Paraguaçu (com quem Diogo se casou na França) e Moema (rival de Paraguaçu, que morreu afogada quando perseguia o navio que levava o casal para a França).


Fonte: http://educacao.uol.com.br/biografias/jose-de-santa-rita-durao.htm 
Frei caracteriza-se em sua obra por ser o primeiro a abordar o habitante nativo do Brasil, também por apresentar uma descrição detalhada dos primórdios da colonização do Brasil, relatos de cenas de guerras entre as nações indígenas, de dados sobre a fauna, a flora, a paisagem brasileira, os costumes e tradições indígenas e, por fim, sobre os acontecimentos históricos em relação queima de gordura à formação do Brasil, os quais podem ser citados, as Invasões francesas e Holandesas e a divisão dos países em capitanias. A narrativa épica deste notável escritor mineiro destaca-se a exaltação das terras brasileiras, descrita de forma maravilhosa e curiosa, dessa forma, apresenta-se o ufanismo, isto é, "atitude ou sentimento de quem se vangloria exageradamente das belezas, riquezas e vantagens do Brasil".
Frei caracteriza-se em sua obra por ser o primeiro a abordar o habitante nativo do Brasil, também por apresentar uma descrição detalhada dos primórdios da colonização do Brasil, relatos de cenas de guerras entre as nações indígenas, de dados sobre a fauna, a flora, a paisagem brasileira, os costumes e tradições indígenas e, por fim, sobre os acontecimentos históricos em relação queima de gordura à formação do Brasil, os quais podem ser citados, as Invasões francesas e Holandesas e a divisão dos países em capitanias. A narrativa épica deste notável escritor mineiro destaca-se a exaltação das terras brasileiras, descrita de forma maravilhosa e curiosa, dessa forma, apresenta-se o ufanismo, isto é, "atitude ou sentimento de quem se vangloria exageradamente das belezas, riquezas e vantagens do Brasil".
O Frei caracteriza-se em sua obra por ser o primeiro a abordar o habitante nativo do Brasil, também por apresentar uma descrição detalhada dos primórdios da colonização do Brasil, relatos de cenas de guerras entre as nações indígenas, de dados sobre a fauna, a flora, a paisagem brasileira, os costumes e tradições indígenas e, por fim, sobre os acontecimentos históricos em queima de gordura relação à formação do Brasil, os quais podem ser citados, as Invasões francesas e Holandesas e a divisão dos países em capitanias. A narrativa épica deste notável escritor mineiro destaca-se a exaltação das terras brasileiras, descrita de forma maravilhosa e curiosa, dessa forma, apresenta-se o ufanismo, isto é, "atitude ou sentimento de quem se vangloria exageradamente das belezas, riquezas e vantagens do Brasil".
O Frei caracteriza-se em sua obra por ser o primeiro a abordar o habitante nativo do Brasil, também por apresentar uma descrição detalhada dos primórdios da colonização do Brasil, relatos de cenas de guerras entre as nações indígenas, de dados sobre a fauna, a flora, a paisagem brasileira, os costumes e tradições indígenas e, por fim, sobre os acontecimentos históricos em queima de gordura relação à formação do Brasil, os quais podem ser citados, as Invasões francesas e Holandesas e a divisão dos países em capitanias. A narrativa épica deste notável escritor mineiro destaca-se a exaltação das terras brasileiras, descrita de forma maravilhosa e curiosa, dessa forma, apresenta-se o ufanismo, isto é, "atitude ou sentimento de quem se vangloria exageradamente das belezas, riquezas e vantagens do Brasil".