domingo, 16 de outubro de 2016

Literatura Barroca


O período conhecido como Barroco, ou Seiscentismo, é constituído pelas primeiras manifestações literárias genuinamente brasileiras ocorridas no Brasil Colônia, embora diretamente influenciadas pelo barroco europeu. O Barroco também corresponde a um período de grande turbulência político-econômica, social, e principalmente religiosa.

Temas frequentes na Literatura Barroca:

- fugacidade da vida e instabilidade das coisas;
- morte, expressão máxima da efemeridade das coisas;
- concepção do tempo como agente da morte e da dissolução das coisas;
- castigo, como decorrência do pecado;
- arrependimento;
- narração de cenas trágicas;
- erotismo;
- misticismo;
- apelo à religião;

Contexto histórico
  
Após o Concílio de Trento, realizado entre os anos de 1545 e 1563 e que teve como consequência uma grande reformulação do Catolicismo, em resposta à Reforma protestante, a disciplina e a autoridade da Igreja de Roma foram restauradas, estabelecendo-se a divisão da cristandade entre protestantes e católicos.
Nos Estados protestantes, onde as condições sociais foram mais favoráveis à liberdade de pensamento, o racionalismo e a curiosidade científica do Renascimento continuaram a se desenvolver. Já nos Estados católicos, sobretudo na Península Ibérica, desenvolveu-se o movimento chamado Contrarreforma, que procurou reprimir todas as tentativas de manifestações culturais ou religiosas contrárias às determinações da Igreja Católica. Nesse período, a Companhia de Jesus passa a dominar quase que inteiramente o ensino, exercendo papel importantíssimo na difusão do pensamento aprovado pelo Concílio de Trento.
O clima geral era de austeridade e repressão. O Tribunal da Inquisição, que se estabelecera em Portugal para julgar casos de heresia, ameaçava cada vez mais a liberdade de pensamento. O complexo contexto sociocultural fez com que o homem tentasse conciliar a glória e os valores humanos despertados pelo Renascimento com as ideias de submissão e pequenez perante Deus e a Igreja. Ao antropocentrismo renascentista (valorização do homem) opôs-se o teocentrismo (Deus como centro de tudo), inspirado nas tradições medievais.
Essa situação contraditória resultou em um movimento artístico que expressava também atitudes contraditórias do artista em face do mundo, da vida, dos sentimentos e de si mesmo; esse movimento recebeu o nome de Barroco. O homem se vê colocado entre o céu e a terra, consciente de sua grandeza mas atormentado pela ideia de pecado e, nesse dilema, busca a salvação de forma angustiada. Os sentimentos se exaltam, as paixões não são mais controladas pela razão, e o desejo de exprimir esses estados de alma vai se realizar por meio de antíteses, paradoxos e interrogações. Essa oscilação que leva o homem do céu ao inferno, que mostra sua dimensão carnal e espiritual, é uma das principais características da literatura barroca. Os principais autores do Barroco são: Gregório de Matos, Bento Teixeira Pinto, Manuel Botelho de Oliveira, Padre Antônio Vieira e Frei Manuel de Santa Maria Itaparica.

Características do Barroco

As características do Barroco que nos permitem definir com maior facilidade que o texto ou o sermão pertencem a literatura barroca são:

1) A arte da contrarreforma        
A ideologia do Barroco é fornecida pela Contrarreforma, em nenhuma outra época se produziu tamanha quantidade de igrejas, capelas, estátuas de santos e monumentos sepulcrais. A arte barroca tinha que convencer, conquistar e impor admiração.

2) Conflito entre corpo e alma
O Renascimento definiu-se pela valorização do profano, colocando em pauta o gosto pelas satisfações mundanas. Os intelectuais barrocos, no entanto, não alcançam tranquilidade agindo de acordo com essa filosofia. A influência da Contrarreforma fez com que houvesse oposição entre os ideais de vida eterna em contraposição com a vida terrena e do espírito em contraposição à carne. Na visão barroca, não há possibilidade de conciliar essas antíteses. Assim, ora ajoelha-se diante de Deus, ora celebra as delícias da vida.

3) O tema da passagem do tempo          
O homem barroco assume consciência integral no que se refere à fugacidade da vida humana: o tempo, veloz e avassalador, tudo destrói em sua passagem. Por outro lado, diante das coisas transitórias, surge a contradição: vivê-las, antes que terminem, ou renunciar ao passageiro e entregar-se à eternidade?               

4) Forma tumultuosa
O estilo barroco apresenta forma conturbada, decorrente da tensão causada pela oposição entre os princípios renascentistas e a ética cristã. Daí a frequente utilização de antíteses, paradoxos e inversões, estabelecendo uma forma contraditória. Além disso, a utilização de interrogações revela as incertezas do homem barroco frente ao seu período e a inversão de frases a sua tentativa na conciliação dos elementos opostos.

5) Cultismo e conceptismo
O cultismo caracteriza-se pelo uso de linguagem rebuscada, culta, extravagante, repleta de jogos de palavras e do emprego abusivo de figuras de estilo, como a metáfora e a hipérbole. Já o conceptismo, que ocorre principalmente na prosa, é marcado pelo jogo de ideias, de conceitos, seguindo um raciocínio lógico, nacionalista, que utiliza uma retórica aprimorada. A organização da frase obedece a uma ordem rigorosa, com o intuito de convencer e ensinar.

Chegada do Barroco no Brasil

O Barroco chegou ao Brasil por meio dos jesuítas, inicialmente a intenção era para a catequização, maso Barroco passa a se expandir para os centros de produção açucareira, especialmente na Bahia, por meio das igrejas. Assim, a função da igreja era ensinar o caminho da religiosidade e da moral a uma população que vivia desregradamente.

Breve resumo sobre o Barroco

Contexto histórico
- Contrarreforma;
- Renascimento.
Características
- Conflito entre corpo e alma;
- Passagem do tempo;
- Cultismo e conceptismo;
- Figuras de linguagem.
Principais autores
- Bento Teixeira;
- Gregório de Matos Guerra;
- Padre Antonio Vieira.
-Manuel Botelho de Oliveira
- Frei Manuel de Santa Maria Itaparica.

Fontes:

http://www.soliteratura.com.br/barroco/barroco04.php
https://pt.wikipedia.org/wiki/Literatura_barroca
http://educacao.globo.com/literatura/assunto/movimentos-literarios/barroco.html
http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/literatura/barroco.htm

http://www.estudopratico.com.br/literatura-barroca-caracteristicas-autores-e-obras/

sábado, 15 de outubro de 2016

Teatro Barroco

O Barroco foi um movimento cultural e filosófico da história da cultura ocidental que teve início em Itália e decorreu, aproximadamente, entremeado do século XVI e meados do século XVIII.

Assiste-se neste movimento à exaltação dos sentimentos e da religiosidade expressos de forma intensa, dramática e emocional. O teatro barroco que inicialmente não foi um estilo voltado ao cristianismo, como por exemplo, algumas pinturas; logo reagiu contra o materialismo renascentista e a Reforma protestante. Refletindo o espírito da época: atormentado, tenso e pessimista. Ademais, no terreno narrativo, os novelistas preocupavam-se em revelar a sociedade de forma mais realista e sempre crítica com uma linguagem, sóbria em princípio, tornando-se depois muito rebuscada.

Na Espanha o modelo teatral barroco surgiu, em 1625, com Calderon de  la Barca, que foi nomeado dramaturgo oficial da corte, onde desenvolveu uma vasta obra e diversos gêneros teatrais, entre os quais  as zarzuelas. Além disso, o modelo também teve apoio na França, com Luís XIV instituindo um regime de apoio financeiro aos artistas( destacando-se na dramaturgia Corneille, Racine e Molière, que são uma referência universal ), tendo prestigiado as artes, entre as quais o teatro.

As salas de espetáculo inserem-se no estilo designado por teatro à italiana, e possuíam uma maquinaria  que permitia realizar espetáculos complexos e de grande exigência técnica. As salas eram construídas em forma de ferradura e orientavam-se perpendicularmente ao palco. O público assistia sentado na plateia e também em camarotes e frisas que circundavam a cena. E geralmente nas cúpulas das salas podiam apreciar-se pinturas de artistas reconhecidos.

Já o Brasil tem as suas primeiras manifestações teatrais importantes na transição do maneirismo para o barroco, e foram realizadas em âmbito religioso, como parte da obra missionária de catequização do gentio, destacando-se principalmente a figura do Padre José de Anchieta escritor de criativas peças teatrais, encenadas pelos índios a fim de que compreendessem o catolicismo, que tinham como característica o sincretismo, com personagens retirados de vários períodos históricos e misturados a figuras lendárias.

No século XVII a forma do teatro sacro se desenvolve, e se enriquecem os cenários e acessórios cênicos, e o público-alvo já não é primariamente o índio, mas toda a população. No entanto ainda não havia teatros, então o local para as apresentações era ao ar livre, que contava com a viva participação popular. Com o tempo o teatro profano erudito começou a aparecer com a construção no século XVIII de diversas casas de espetáculo pelo litoral e em alguns centros interioranos como Ouro Preto e Mariana, que serviam principalmente à representação de peças musicadas, as óperas, melodramas e comédias, e surgiu também o desejo de profissionalização do teatro brasileiro, até então de base amadora e popular, e os tablados itinerantes deram lugar ao auditório fixo. Com seu repertório basicamente importado da Europa.

Portanto a herança cênica do barroco perdura até os dias de hoje em expressões populares sincréticas de longa e rica tradição que sobrevivem em diversos pontos do país, como as ladainhas, os congados, os ternos de Reis, e mesmo é visível no moderno carnaval carioca, uma festa associada ao calendário religioso e uma das expressões populares contemporâneas que atualizam a cenografia luxuriante do auge do teatro e das festas barrocas.

                  Resultado de imagem para Casa de Ópera de Ouro Preto
         Casa de Ópera de Ouro Preto, de 1770, mais antigo teatro das Américas ainda em uso.

      
       Auto Representado na Festa de São Lourenço


 Uma das peças mais famosas do Padre José de Anchieta é o Auto Representado na Festa de São Lourenço, que conta uma história em torno do martírio do santo e ocorrem diversas coisas no desenrolar do texto, com seus personagens tirados de diferentes épocas, mas por fim acontece o enterro do santo, que lutou contra vários demônios para defender a aldeia em que era padroeiro. Essa peça é composta com variações linguísticas, “Línguas Tupi, Portuguesa, Castelhana” e isso teria aparentemente dois propósitos: o primeiro seria atender aos espectadores, pois nas festas religiosas nos aldeamentos, além da presença dos moradores locais, padres, índios cristãos, catecúmenos ou prisioneiros, que falavam a língua geral, contava-se ainda com a presença de religiosos recém-chegados, homens do governo, viajantes e militares, que eram portugueses ou espanhóis e não conheciam o tupi. No período que essa representação foi realizada havia a união das Coroas da Península Ibérica e o governo do Brasil estava a cargo de Felipe II da Espanha. O outro propósito, que era típico do teatro de moralidades e muito usado por Gil Vicente, seria usar variações linguísticas para caracterizar as personagens que desse modo criticavam um universo cultural ou outro. Aimbirê, personagem central da peça, fala a língua geral com seus companheiros índios ou com o Karaibebé, personagem do Bem, mas em outro momento da peça, quando dialoga com os Imperadores Décio e Valeriano, imperadores romanos,  fala em castelhano e, até, pelo menos uma frase em guarani. O texto em língua brasílica constituiria a parte principal do Auto e percebe-se, nele, a marca da pedagogia de Anchieta, visando, com a utilização de aspectos da cultura indígena, ao ensino da fé e da moral cristã. Além disso, essa peça é carregada de significados, e apresenta uma pluralidade linguística que permitiu Anchieta escolher a língua a ser falada por que tipo personagem, e também um sincretismo cultural, que é um recurso de manipulação utilizado. Então como a peça é muito extensa deixarei só o primeiro ato, que fala sobre o martírio de São Lourenço, que é o começo de todo o enredo, mas abaixo colocarei o link para os que quiserem ler todo texto.

PRIMEIRO ATO (Cena do martírio de São Lourenço) Cantam:

Por Jesus, meu salvador,
Que morre por meus pecados,
Nestas brasas morro assado 
Com fogo do meu amor 

Bom Jesus, quando te vejo
Na cruz, por mim flagelado,
Eu por ti vivo e queimado 
Mil vezes morrer desejo

Pois teu sangue redentor 
Lavou minha culpa humana,
Arda eu pois nesta chama 
Com fogo do teu amor.

O fogo do forte amor, 
Ah, meu Deus!, com que me amas
Mais me consome que as chamas
E brasas, com seu calor.

Pois teu amor, pelo meu 
Tais prodígios consumou, 
Que eu, nas brasas onde estou,
Morro de amor pelo teu. 

http://www.numeroreal.com.br/down_livros/Jose%20de%20Anchieta%20%20-%20Auto%20Representado%20na%20Festa%20de%20Sao%20Lourenco.pdf


Fontes:
http://max-barroco.blogspot.com.br/2009/11/teatro.html
http://www.planonacionaldeleitura.gov.pt/teatro/backstage.php?s=21&id=18
http://barrocobrasileiro002.blogspot.com.br/2011/04/teatro.html
http://www.hispanista.com.br/artigos%20autores%20e%20pdfs/523.pdf
https://literarizando.wordpress.com/2009/04/15/anchieta-e-o-auto-de-sao-lourenco-literatura-a-servico-da-religiao/


Giacomo Torelli: Cenário para Andromède, de Corneille, 1650. Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque

Karel Dujardins: Uma companhia de Commédia dell'Arte em um palco ao ar livre, 1657. Museu do Louvre
O Curral de Comédias em Almagro, um típico teatro espanhol do século XVII, em uso ininterrupto desde então
Pietro Domenico Oliviero: O Teatro Régio de Turim, c. 1750, mostrando uma apresentação operística. Palazzo Madama

sábado, 8 de outubro de 2016

A Cegueira da Governação - Padre Antônio Vieira

Príncipes, Reis, Imperadores, Monarcas do Mundo: 
vedes a ruína dos vossos Reinos,
vedes as aflições e misérias dos vossos vassalos, 
vedes as violências, 
vedes as opressões, 
vedes os tributos, 
vedes as pobrezas, vedes as fomes, 
vedes as guerras, vedes as mortes, 
vedes os cativeiros, 
vedes a assolação de tudo? 
Ou o vedes ou o não vedes. 
Se o vedes como o não remediais? 
E se o não remediais, como o vedes? 
Estais cegos.

Príncipes, Eclesiásticos, grandes, maiores, supremos, e vós, ó Prelados, que estais em seu lugar:
vedes as calamidades universais e particulares da Igreja, 
vedes os destroços da Fé,
vedes o descaimento da Religião, 
vedes o desprezo das Leis Divinas, 
vedes o abuso dos costumes, 
vedes os pecados públicos, 
vedes os escândalos, 
vedes as simonias, 
vedes os sacrilégios, 
vedes a falta da doutrina sã, 
vedes a condenação e perda de tantas almas, dentro e fora da Cristandade? 
Ou o vedes ou não o vedes. 
Se o vedes, como não o remediais, e se o não remediais, como o vedes?
Estais cegos. 

Ministros da República, da Justiça, da Guerra, do Estado, do Mar, da Terra:
vedes as obrigações que se descarregam sobre vosso cuidado, 
vedes o peso que carrega sobre vossas consciências, 
vedes as desatenções do governo, 
vedes as injustiças, 
vedes os roubos, 
vedes os descaminhos, 
vedes os enredos, 
vedes as dilações, 
vedes os subornos, 
vedes as potências dos grandes e as vexações dos pequenos, 
vedes as lágrimas dos pobres, os clamores e gemidos de todos? 
Ou o vedes ou o não vedes. 
Se o vedes, como o não remediais? 
E se o não remediais, como o vedes? Estais cegos. 

Análise: Nesse texto, Padre Antônio Vieira critica abertamente as principais autoridades políticas e religiosas da época em que ele vivia, sempre terminando com os versos "Se o vedes, como o não remediais? / E se o não remediais, como o vedes? Estais cegos.", que evidenciam a indignação do Padre sobre todas as formas de opressão que são citadas. 

É bem importante destacar a segunda parte do texto, quando o Padre começa a falar de um cenário religioso. Sabendo que a literatura barroca ocorre em um contexto de reforma protestante, contrarreforma  e inquisição, e podemos identificar no texto vários elementos que se referem a esses fatos. Sempre aprendemos na escola que "o abuso dos costumes", "os escândalos", "os sacrilégios" e "as calamidades particulares da Igreja" levaram Lutero a iniciar a reforma protestante. Nesse texto de Padre Antônio Vieira, esses versos podem se referir tanto às práticas da Igreja Católica, quanto ao Protestantismo, já que o Padre sempre criticava em seus textos a influência Protestante nas colônias.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Trecho do Sermão de Santo Antônio aos Peixes (pág.1) -Padre Antônio Vieira



"Vós, diz Cristo, Senhor nosso, falando com os pregadores, sois o sal da terra: e chama-lhes sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina; ou porque a terra se não deixa salgar e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhes dão, a não querem receber. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores dizem uma cousa e fazem outra; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que dizem. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores se pregam a si e não a Cristo; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, em vez de servir a Cristo, servem a seus apetites. Não é tudo isto verdade? Ainda mal!"


Análise: Padre Antônio Vieira, nesse trecho do Sermão de Santo Antônio aos Peixes, utiliza relativamente de um simetria porque nota-se uma repetição de palavras e expressões, e há também um jogo de ideias, e um raciocínio de dedutível, como no trecho: "Ou porque o sal não salga...ou a terra não se deixa salgar.", que demonstra um raciocínio, e uma conclusão lógica.
O autor nesse texto fez uso da passagem do sal da terra e a luz do mundo, relacionou-a com o estado de corrupção que se encontra o mundo, e começou a se questionar, sobre o porquê de todo esse mal, sendo que o sal, são os pregadores, que tem a função de impedir a corrupção. Então ele passou a colocar uma ideia em cima da outra, que é uma das características de seus textos, continuando a indagar o motivo de toda essa corrupção, se é por causa do sal que não salga, ou seja, os pregadores, que pregam si mesmo, ou por causa da terra que não se deixa salgar, que são os ouvintes que não acolhem e preferem saciar os seus apetites, e ele em seu texto diz ainda outras ideias além dessas que coloquei, para tentar achar a causa de tudo isso. E no final do trecho ele indaga: " Não é tudo verdade isso? Ainda mal.", expressando seu sentimento em relação a tal fato. 
Portanto Padre Antônio Vieira nesse primeiro trecho do Sermão de Santo Antônio aos Peixes, ele critica e questiona, sobre o motivo de toda essa corrupção, e utiliza de várias coisas, como já citei antes, para falar sobre esse tema que ainda é atual na sociedade de hoje.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Trecho do Sermão da Sexagésima (pág.6) - Padre Antônio Vieira

"Fazer pouco fruto a palavra de Deus no Mundo, pode proceder de um de três princípios: ou da parte do pregador, ou da
parte do ouvinte, ou da parte de Deus. Para uma alma se converter por meio de um sermão, há-de haver três concursos:
há-de concorrer o pregador com a doutrina, persuadindo; há-de concorrer o ouvinte com o entendimento, percebendo;
há-de concorrer Deus com a graça, alumiando. Para um homem se ver a si mesmo, são necessárias três coisas: olhos,
espelho e luz. Se tem espelho e é cego, não se pode
ver por falta de olhos; se tem espelho e olhos, e é de noite, não se pode ver por falta de luz. Logo, há mister luz, há mister espelho e há mister olhos. Que coisa é a conversão de uma alma, senão
entrar um homem dentro em si e ver-se a si mesmo? Para esta vista são necessários olhos, e necessária luz e é necessário
espelho. O pregador concorre com o espelho, que é a doutrina; Deus concorre com a luz, que é a graça; o homem concorre com os olhos,
que é o conhecimento."


Análise Eduardo: No presente trecho do Sermão da Sexagésima, pode-se observar que o assunto que está sendo tratado é a conversão da alma. É importante destacar também que, segundo o narrador, a conversão de uma alma consiste no ato do homem de se ver, como se fosse uma espécie de auto-avaliação no qual o homem se avalia e julga a si próprio. O narrador ainda continua dizendo que para tal coisa, são necessárias três coisas: olhos, espelho e luz.

Padre Antônio Vieira (1608-1697)




"O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive."

Padre Antônio Vieira nasceu em Lisboa, no Reino de Portugal. Veio ao Brasil quando tinha ainda sete anos de idade. Além de missionário, era escritor. Alguns de seus principais textos são os seus famosos sermões, como o Sermão da Sexagésima e o Sermão de Santo Antônio. Além disso, escreveu diversas cartas e profecias que estão compiladas atualmente como livros. É conhecido também pelas características dos textos que produzia, como o grande uso de figuras de linguagem, o conflito entre o corpo e a alma, e o conceptismo de suas obras, que é o jogo de ideias que busca seguir um raciocínio lógico, para que consiga ensinar e convencer o leitor. Por conta dessas e outras características, é considerado como um dos principais nomes da literatura barroca.

Seus sermões são conhecidos pelas críticas ao despotismo dos colonos portugueses, à influência do Protestantismo na colônia, aos pregadores que não cumpriam com seu papel de evangelizar, e até à Inquisição. O padre foi duramente perseguido, principalmente por defender os índios, condenando as agressões que eles sofreram como resultado da colonização, embora ele defendesse a evangelização dos povos nativos, por acreditar que isso traria a salvação a essas pessoas.

Antônio Vieira foi condenado pela Inquisição, em 1667, a não poder mais exercer seu ofício de pregar, e a ficar recluso no Santo Ofício. Mais tarde, o padre foi libertado e enviado para Roma, onde foi convidado para ser professor. Ele recusou, pois desejava retornar ao Brasil. Sua condenação foi revista, e o Papa o declara isento. Assim, ele compilou seus sermões e foi ao Brasil. Em nossas terras, o padre voltou a pregar pelo sertão. Mas, por problemas de saúde, foi obrigado a renunciar o cargo. Morreu em Salvador, Bahia em 1697.

"Há pessoas semelhantes à vela que se consomem para alumiar o caminho alheio"


Referências:

Cartas do Padre Antônio Vieira; Disponível em https://www.bbm.usp.br/node/63

Personagens da Cidade - Padre Antônio Vieira; Disponível em http://www.patrimonioslz.com.br/pagina164.htm

Padre Antônio Vieira; Disponível em http://www.soliteratura.com.br/barroco/barroco06.php

domingo, 2 de outubro de 2016

Soneto a Nosso Senhor - Gregório de Matos



Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
Da vossa alta clemência me despido;
Porque quanto mais tenho delinquido
Vos tem a perdoar mais empenhado.

Se basta a voz irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida e já cobrada
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na sacra história.

Eu sou, Senhor a ovelha desgarrada,
Recobrai-a; e não queirais, pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.
Análise:  É um poema religioso e sarcástico, ele fala que quanto mais ele peca, mais o Senhor perdoa. Gregório de Matos quis falar basicamente isso no meu entendimento... Mas agora, meus amigos irão falar mais sobre esse texto para vocês dando mais informações relevantes.